PENTEFUSO remete para o ato de pentear, de cardar, de orientar fios, tal como o pente do tear. A obra evoca a aura tecnológica ancestral de produção têxtil que ainda se vive na freguesia de Bucos em Cabeceiras de Basto, pelas mãos das Mulheres de Bucos da Casa da Lã. A obra materializada em vidro soprado em escala, faz o observador emergir num campo de referentes e conceitos férteis que se nutrem em espaços rurais, conectados com o fazer agrícola e os seus tempos que marcam um ritmo ligado á natureza; conectados com o feminino, o cuidar; com a relação da mulher e o que está à sua volta.
PENTEFUSO fala de movimento, de fluxo, entre a lã ludra e a lã fiada, refinada, feita tecido, enobrecida e valorizada. Tal como a rotação do fuso o vidro soprado lembra-nos que estamos em constante rotação, em constante movimento. Ao nível formal e afastados da obra estamos num movimento de um todo horizontal, contudo quando nos aproximamos da obra, esta contém-nos, tal como o tear nos contém quando estamos a tecer, no entanto aqui o observador é convidado a uma viagem no sentido vertical. Esta alusão à verticalidade e ao fluxo remanesce do sentido formal do órgão de tubos do Mosteiro de Refojos que emana um som sagrado para o espaço, que modela o espaço do sacro, no entanto é no interior de cada um que este encontro acontece.