A Mesa dos Quatro Abades é um lugar de memória coletiva das gentes de Ponte de Lima, para o qual confluem as estradas de várias freguesias deste município. O artista foi desafiado a intervir numa estrutura arquitetónica pré-existente, tendo escolhido executar um painel de azulejos. Dadas as características da mesma, o conjunto foi dividido em três partes. A parte voltada para o caminho trata da questão da cartografia institucional, representada pela mesa, os bancos e um esboço da Rosa dos Ventos. Os nomes de todas as freguesias aparecem como se tratasse de uma intervenção no espaço urbano com moldes. A parte superior parte em todo o conjunto da ideia do azulejo tradicional (15x15cm), apesar de ser pintado sobre azulejo de 20x20cm. Essa parte superior é inspirada nos azulejos de tapete que cobrem parte das fachadas e lambris das igrejas locais. À medida que se vai baixando passamos do 97 tradicional para o contemporâneo, do excesso para a simplicidade. Na parte central a figura de São Sebastião, figura que cada uma das paróquias levava em procissão até à Mesa dos Quatro Abades. A figura de São Sebastião é ladeada por dois anjos que tocam trombetas, aludindo à questão religiosa. A última parte, remete mais para questões mais populares, como a romaria e a pastorícia.
Ricardo de Campos
Portugal, 1977
Ricardo de Campos nasceu em Monção, em 1977. Mestre em Arte Contemporânea, em Criação e Investigação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Vigo, Pontevedra, é também Especialista em Artes pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Já participou em centenas de exposições individuais e coletivas desde 1998 pelo mundo, desde Portugal, Espanha, França, Áustria, Itália, Estados Unidos e China. Foi destacado em vários prémios com me...