No enquadramento da linguagem expressionista e do gesto, a pintura de Juan Domingues é um ato performativo e de contacto. A narrativa exposta é uma consequência da adaptação dos diálogos com a comunidade local, com o Museu Marítimo de Esposende e a Associação de Pescadores e parte de uma composição em pirâmide composta por 3 atos. Primeiro, temos a representação de São Pedro, padroeiro dos pescadores com valores cromáticos que simbolizam o nascer do sol. Depois, a representação poética da “regateira” com a criança ao colo a segurar uma catraia de Esposende, no intuito de representar e honrar o passado histórico da região, tanto como as gerações futuras. Este era um costume de infância antigo, que interessa lembrar.
Temos ainda a ação da atividade piscatória, retratando-se os pescadores em esforço, notando-se o interior do barco com os pescadores a puxarem redes e cordas, intensificando-se a ação com o barco inclinado que representa o perigo e esforço da profissão. Por último, Juan Domingues contactou com um levantamento topográfico do século XIX que serviu de fundo e que estará representado como mapa de Esposende ao lado esquerdo de São Pedro e por detrás da mulher com a criança ao colo.
Juan Domingues
Portugal, 1981
Juan Daniel Domingues constrói o rosto como quem escava: o desenho e a pintura tornam-se, na sua obra, um exercício quase obsessivo de aproximação à figura humana, em que o retrato do outro funciona sempre como um
espelho onde o artista procura o seu próprio rosto.Juan Domingues vive e trabalha em Cantanhede. Nascido a 29 de maio de 1981 em Puerto Cabello, Venezuela, filho de emigrantes portugueses, ingressou em 2001 na ARCA — Escola Universit...