A linha temporal que está na base desta proposta é a quarta edição do Festival Vilar de Mouros, fazendo-nos recuar para 3 e 4 de agosto de 1968. O Doutor António Brage tinha pensado numa programação diferente para este ano, acrescentando à música tradicional das regiões do Alto Minho e da Galiza música de intervenção popular. Apontou nomes como Carlos Paredes e Zeca Afonso, bem como Luiz Goes e Adriano Correia de Oliveira. Durante o festival, mais propriamente na noite de 4 de agosto, estavam presentes, na plateia, o Governador Civil de Braga e o General da GNR para além de alguns agentes da PIDE disfarçados. António Brage sabendo muito bem que a música de intervenção era proibida, colocou a banda filarmónica da GNR, símbolo do Estado Novo, a tocar até à meia-noite, disfarçando os 4 artistas referidos e reservados para o final. Na última atuação, Zeca Afonso homenageou, em palco, Catarina Eufémia, camponesa, ceifeira alentejana, assassinada a tiro a 19 de maio de 1958, após ter mobilizado outras catorze ceifeiras em torno de uma luta pelo direito a obter mais 4 escudos pelo trabalho realizado na ceifa. No decorrer dessa ação de luta, a GNR foi chamada ao local acabando por matar de metralhadora, à queima rouba, Catarina de apenas 28 anos, com 4 balas nas costas. Este ano assinalaram-se, ainda, a 19 de maio de 2022, 68 anos da morte de Catarina Eufémia e tendo esta edição do festival decorrido em 1968, a intervenção assinala a efeméride.