Ao longo da residência artística em Vieira do Minho e, em particular, na aldeia de Campos, Elizabeth Leite visitou o lugar e calou-se para ouvir o precioso silêncio. As imagens, que compõem esta obra de arte, são da terra e das gentes cuja relação com a natureza é forte. A pintura faz-se destes encontros, é uma âncora. “Ouvimos as histórias, reconhecemos nos olhares que nos veem a vontade de fixar a vida, talvez alcançar a eternidade. Preservam o que construíram.”, nas palavras da artista e acrescenta que “nestas habitações o cheiro do gado é familiar. Por aqui paira a quentura do caldo fresco feito nas panelas de ferro ao lume. Sabemos da salvaguarda do pão sobre a mesa e de algum escondido. São casas. Não escondem o trabalho, a simplicidade, as suas fragilidades, a saudade, a ignorância, o destino de envelhecer. Sós, permanecem de pé. Pergunto-me que força as(os) anima? Continuam num diálogo brando com a terra. Deixam uma herança como se de um pequeno tesouro (agora sem importância) se tratasse. São os costumes! Gestos repetidos aparentemente em desuso. Lembram com ternura a mãe, o pai, os filhos que cresceram e abandonaram a terra. O sacrifício dos dias desta época. O que aqui vemos são pessoas reais, sem disfarces, sem tempo para conversas do mundo citadino, lugares distantes, que ameaçam a festa de outros dias. Permanecem as tarefas ancestrais, o trabalho exímio e carregado que as mãos e a curvatura do corpo testemunham. As pernas estão pesadas. Aguardam pelas abençoadas férias dos que trabalham longe e dos que esperam por companhia. O Domingo de vez em quando não chega, tranquiliza. Quer-se a casa farta.” Nesta parede estão, assim, rostos de algumas mulheres e homens de Vieira do Minho que a pintura eterniza, guarda.