Inspirado pela ética da alteridade do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995), Juan Domingues desenvolve a narrativa desta pintura mural de 300 metros lineares e 1555,00 metros quadrados, a maior do Norte do país. Lévinas diz-nos que, em vez de o “eu” se ver refletido no
espelho do ego, como sugere a tradição filosófica, este constitui-se eticamente
ao responder à presença irredutível do rosto do Outro.
É a partir deste princípio de espelho, tomando como figura central o navegador Fernão de Magalhães (1480-1521), natural de Ponte da Barca, que o artista integra elementos da paisagem natural e dos patrimónios culturais, com as ideias de viagem e diáspora que tanto caracterizam estas terras do Alto Minho.
Da Ponte Medieval ao Castelo de Lindoso, passando pelos Espigueiros, a “Pedra dos Namorados” ou a fauna local, entre outros elementos, o mural reflete o desenho da paisagem e leva-nos a pensar o lugar como símbolo de partidas e chegadas, de encontros e pertenças, homenageando o povo de Ponte da Barca que não receia o desconhecido.