Para a exposição “Ensinamentos para Senhoritas” na ZET, em Lisboa, Sara Maia partiu o livro de contos de Luísa Costa Gomes (Portugal, 1954), “Visitar Amigos e Outros Contos” (2024), preferindo as referências aos universos femininos e aos estereótipos sobre estes, temáticas que, aliás, são recorrentes ao longo de toda a sua produção.
O pai chamava-lhe Natália Correia, pelo seu espírito reivindicativo e ativista, e o facto é que a sua voz de protesto ganhou sempre expressão através da Arte de que fez e faz vida. “Ensinamentos para Senhoritas”, título da exposição e de uma das obras inéditas que a integra, traz-nos esta sugestão de revisitação do passado bafiento e de um lugar a que, durante séculos, as mulheres estiveram votadas: o do que é doméstico e encerrado no lar.
Sara Maia desperta-nos para o retrocesso e para a “banalização do mal”, nas palavras de Hannah Arendt (Alemanha, 1906–1975), ativando o seu ser político, inquieto e transgressor. O conjunto de obras ora apresentadas, na sua maioria inéditas, conta-nos muito, também, sobre a robustez plástica de uma artista que escolheu as margens das imagens e a ausência de limites formais do papel para se fazer ouvir.